Há um milhão de anos, o soberano humano varreu rios e montanhas por bilhões de li, lançando as bases eternas e indestrutíveis da raça humana. Há cento e cinquenta mil anos, o Grande Imperador dos humanos abalou todas as raças, invencível por toda a vida, sem jamais encontrar um adversário à altura. Hoje, o lobo celeste devora o sol, a catástrofe chega, e Xu Changge perece em batalha entre as estrelas. Uma misteriosa e antiga Torre Exquisita trouxe Xu Changge de volta aos anos anteriores à catástrofe, fazendo dele o jovem mestre de uma família nobre prestes a ser abandonada.
— Jovem mestre, já é hora de comer.
Um servo entrou trazendo uma tigela de comida azeda, o rosto tomado de repulsa.
Ele empurrou a porta gasta do quarto, pôs a refeição sobre a mesa e lançou um olhar de desprezo ao homem sentado na cadeira de rodas. Com um sorriso frio, disse:
— Não se esqueça de comer. Hoje a comida até que está boa; da próxima vez, conseguir algo assim vai depender de sorte.
A comida, mole e com cheiro pútrido, exalava um fedor nauseante.
Até os servos da mansão achavam aquelas sobras revoltantes.
O criado lançou mais uma vez um olhar de desgosto para Xu Changge, sem querer permanecer ali nem por um instante, e se afastou apressado.
“Expulsar Xu Changge da Família Xu para preservar os interesses do clã é a melhor escolha.”
Na Cidade de Yundong, os altos escalões da Família Xu haviam tomado essa decisão.
Xu Changge, o jovem mestre da Família Xu, fora em tempos um prodígio célebre em toda a região.
Cinco anos antes, ainda cheio de vigor e arrogância juvenil, ele saíra para temperar-se nas experiências do mundo, provocara um inimigo poderoso e acabara com as duas pernas destruídas. Desde então, Xu Changge perdera o ânimo e o clã o relegara a um canto esquecido do pátio dos fundos, deixando-o à própria sorte.
Seu pai era o patriarca da Família Xu; ao vê-lo reduzido à invalidez, abandonou-o sem hesitar e tomou nova esposa, gerando outros filhos.
Quanto à mãe de Xu Changge, diziam que morrera de parto ao dá-lo à luz.
Nessas circunstâncias, a única pessoa que não o abandonara fora s